para o amor perdido

decidi postar essa carta da fernanda young aqui… genial…

fiquei triste. num momento você estava aqui, no outro já não estava. igual a um bicho de estimação que morre e de repente somem com o corpo…

para onde foi tudo aquilo?! que tínhamos tão seguro. tão certos de sua eternidade. para onde foi, hein?! meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço…

tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu. mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos. me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande, possa ter desaparecido com tanta facilidade…

como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. não falo as de tarô, mas destas escritas e mandadas ou não mandadas. cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente num cafona português polido, soam mais sensatas.

qual poder espero desta carta?! simples: que deixe registrado este meu estranho momento. quando o que devia ser alívio revela-se angústia. e a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.

não gosto de perder minhas coisas, você sabe. e hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. experimentando o desânimo da busca desiludida. pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? seria inteligente apostar tanto de novo?

aposto que você está pouco se lixando para isso tudo. que seguiu sua vida tranquilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido. e está achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. você, redundante como sempre…

só há uma coisa certa a respeito disso: você provavelmente não irá me responder. desejo, então que você leia, releia e leia novamente. pense. se fosse uma carta impressa depois talvez você a picasse em pedacinhos. sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.

queria apenas pedir um favor antes que você “rasgue” este resto do que tivemos. se algum dia, pensando na vida sozinho ou, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando “tolices” parecidas com estas, escreva também uma carta. mesmo sem provavelmente jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. neste amor e, por isso, em todo o resto. pois adoraria que você fosse capaz de tanto – escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. e eu ficaria, enfim, feliz comigo por tê-lo amado. um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.

então é isso – como sou insuportavelmente romântica, meu deus!!! termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao amor que senti e teima em se manter calado no meu coração. e deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. porque ainda gostaria de poder acreditar que tudo não passou de um grande equívoco e que você nadaria de volta para mim…

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